Cidade Negra de cara nova

miniA banda Cidade Negra vive uma nova fase nos seus 23 anos de carreira. Com a saída de Tony Garrido e a entrada do novo vocalista Alexandre Massau, a grupo manteve sua identidade para em breve estar lançando seu novo álbum “O verdadeiro Poder”.  Em entrevista com o baterista Lazão, um dos fundadores do Cidade Negra, a Surfar revela para seus leitores tudo que está acontecendo nessa nova etapa e conta um pouco mais da história da banda que representa o reggae nacional.

Por José Roberto Annibal

A nova formação do Cidade Negra: Bino, Alexandre Nassau e Lazão.

A nova formação do Cidade Negra: Bino, Alexandre Nassau e Lazão.


“No surf você materializa sentimentos que se existem dentro da música.”


Há quantos anos existe a banda e por que o nome Cidade Negra?

Aproximadamente há 23 anos. Começamos eu, Da Gama, Bino e Ras Bernardo. E este nome foi escolhido porque o Brasil é a segunda nação negra do mundo, sem falar que na Baixada, onde a banda nasceu, a maioria das pessoas que vive na periferia é negra.

Por que a banda escolheu o reggae?

Porque o reggae é uma música de cunho social, político e espiritual. Também pelo fato da Baixada naquela época parecer muito com a Jamaica, que até hoje é um grande gueto, assim como o Brasil é um grande gueto com um monte de cidades no meio.

Quais os shows que mais marcaram a carreira do Cidade Negra em termos de  público?

Vários. Como o da visita do Nelson Mandela aqui no Brasil e três shows na Jamaica: o Reggae Sunsplash Festival, um Sunfest e o outro festival local de reggae, este devia ter umas 10 mil pessoas. No dia do show dos Stones, onde havia quase dois milhões de pessoas na praia de Copacabana, nós estávamos fazendo um show de aniversário de Angra dos Reis, com 50 mil pessoas  assitindo o Cidade Negra. Então, isso foi o maior gesto de carinho do público em relação à banda. Também teve shows com o Shabba Ranks, Maxpriest e outros mais.

Como foi a escolha do novo vocalista?

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O Alexandre Massau veio através de  uma indicação. Algumas pessoas já haviam comentado que ele tinha tudo a ver com a banda pelo seu tom de voz, que era bem marcante e com o reggae. Depois da sua escolha, o Alexandre começou a estudar a história da banda, do reggae e memorizar toda nossa trajetória, além de tirar todas as músicas que o Ras Bernardo e o Toni cantavam.

Vocês estão gravando um novo CD com a nova formação da banda?

Basicamente neste período de dois anos a gente conseguiu fazer quarenta músicas inéditas. Selecionamos vinte e o CD está praticamente pronto, sendo produzido e mixado pelo Nino Romero. Foi gravado lá em casa, no Recreio, perto da Prainha. O Massau foi morar na minha casa durante seis meses e a galera vivia reunida lá todos os dias. Era um trabalho de criação, ensaios, adaptação e mudança de tom, além de relacionamento e conhecimento. Tudo se adaptando à nova voz que tinha chegado ao grupo.

Como é esse novo CD?

O nome do álbum é O Verdadeiro Poder, pois ele questiona os falsos poderes  e o que é ter poder. Dê poder para alguém, só assim se conhece o verdadeiro caráter do homem.  Você vê a política vergonhosa que temos aqui no Brasil, onde se desvia milhões de dólares e reais, e o grande povo que movimenta nosso país continua abandonado e jogado às margens.É um álbum tanto de reflexão espiritual quanto de conteúdo político-social. O Cidade Negra sempre teve essa bandeira forte desde o primeiro trabalho.  É uma banda que sempre questionou a nossa passagem aqui na Terra como espírito, já que estamos aqui, temos que fazer alguma coisa! Você não pode viver a vida inteira sem fazer nada e não pode morrer em vão, entendeu?

Dessa forma a banda e suas músicas não vão acabar sendo vistas como muito politizadas?

A base do reggae é positive vibe. Não basta mostrar a ferida, mas o remédio também. Neste CD a gente tenta questionar os verdadeiros poderes e mostrar o caminho para um equilíbrio, estar bem consigo mesmo e próximo de Deus, que é o verdadeiro poder sobre tudo isso que fazemos. Esse é o caminho, buscar uma espiritualidade, porque as pessoas e os dias são difíceis. Não podemos contar com a política e com os grandes órgãos que atendem a população. Enfim, é como aquela história: ‘E o meu povo na linha de tiro e só meu Deus para defender’.

Como foi o show que a banda fez no campeonato do WQS na Bahia?

Foi super bacana. O evento foi maravilho havia de 12 a 13 mil pessoas, mais ou menos.. Existia uma curiosidade interessante em cima do Cidade Negra, porque, inicialmente, se tinha a  idéia que a banda tinha acabado. Um dia antes fomos para Salvador fazer rádio e televisão e vimos a expectativa dos fãs em relação ao que o grupo ia apresentar no show, músicas antigas ou novas. Aprovação total! Felicidade pura, graças a Deus! A galera adorou e pediu até bis.

Bem, você está frequentemente na praia pegando onda nas horas vagas. Qual a relação da música do Cidade Negra com o surf?

Como o surf, a música é terapia, felicidade, trabalho. E tudo isso caminha lado a lado. No surf você materializa sentimentos que se existem dentro da música. Quando eu estou no palco tocando, existem músicas que me levam para o meio de uma bela onda e de um mar maravilhoso com um swell perfeito.  Acho que tanto o surf quanto a música têm uma frequencia espiritual muito forte de bem-estar, equilíbrio, consciência e respeito. O surf é o esporte dos Deuses. Se os Deuses praticam algum tipo de esporte, eles pegam ondas, entendeu?

Site oficial: www.cidadenegra.com.br

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